“GOVERNANÇA DAS EMPRESAS”

As mudanças no mundo atual se dão em uma velocidade jamais vista. Graças aos avanços tecnológicos, aliados a fatores políticos e econômicos, hoje o ambiente de trabalho tem um nível de complexidade sem precedentes. As empresas estão exigindo agilidade, por causa do ritmo intenso dessas mudanças, que, muitas vezes, ultrapassam a habilidade psicológica das pessoas em lidar com elas. Para se adaptar a esse novo cenário, as empresas precisam de pessoas que se mostrem acessíveis à essas modificações, que são intensas. Para promover qualquer mudança em uma corporação é fundamental o apoio do “andar de cima”, principalmente quando esta impactar de forma profunda, em face de sua natureza complexa. Porém, é necessário fazer uma distinção no que diz respeito à execução, pois esta é atribuição da Gestão, ao passo que a Governança é papel do Conselho de Administração (CA). Mudanças amplas e estruturais não podem ser exclusivamente tratadas pela Gestão. Para o êxito das mudanças é preciso que tenha a aprovação do CA, principalmente quando se tratam de novos projetos (automação, inovação de produtos e de processos), substituições de CEO, de CFO, entre outras. É o CA quem definirá o nível do risco que a empresa está predisposta a aceitar decorrente das mudanças a serem realizadas. Nas empresas familiares, as mudanças, também, são constantes, notadamente no Comando e no CA. A aposentadoria de seus sócios fundadores ou controladores, mediante a transferência de Comando para o novo sucessor, após a implantação de um plano de sucessão robusto, com vista a continuidade do negócio, é o principal motivo da ocorrência dessas substituições. Nas estatais, as eventuais mudanças dos membros da Diretoria e do CA ocorrem, geralmente, nas trocas oficiais de governo. Os governantes eleitos, que são os representantes dos acionistas/sócios das estatais, indicam os Conselheiros e estes, por sua vez, os integrantes de um CA, os quais elegem e substituem os Gestores/Diretores. Se os novos governantes eleitos continuarem a interferir diretamente na gestão das estatais, desrespeitando a autonomia dada aos membros do CA, teremos o indesejável retorno da influência político partidária que tanto ameaça a sobrevivência das estatais. Por isso, a boa governança, especificamente nas empresas estatais, só será efetivamente praticada, quando os integrantes e líderes dos poderes executivo, legislativo e judiciário, seja no âmbito federal, estadual ou municipal, demonstrarem comprometimento e envolvimento com tudo relacionado às mudanças, no sentido real e na essência, no cumprimento das recomendações e das obrigações legais.

Cláudio Sá Leitão – Conselheiro pelo IBGC e Sócio da Sá Leitão Auditores e Consultores.

PUBLICADO NO JORNAL DO COMMERCIO EM 02.03.2019